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Bailão: o estilo popular do Sul

O som dos trompetes ecoando, a roda de amigos se formando em um salão, a energia contagiante da dança: o Bailão é uma experiência única que marcou e marca a vida das pessoas.

Afinal, o que é o bailão? Como essa manifestação cultural tão rica se tornou um símbolo da identidade do sul do país? Neste post, vamos te apresentar esse estilo musical fascinante e te convidar a embarcar nessa viagem pelo ritmo que atravessou gerações e, sem dúvidas, faz parte da vida de muitas pessoas.

O que é o Bailão?

O bailão, também chamado de Música Popular do Sul, é um estilo musical que faz parte da cultura do sul do país. Mistura proveniente de diversos estilos musicais ao longo da sua trajetória, o bailão se caracteriza pela marcha, outro estilo musical influente nas músicas, além dos seus trompetes soando ao fundo e um baixo marcante para dar vida a música.

Durante várias décadas o estilo proporcionou bailes, eventos e festas trazendo pessoas de várias idades, que amam danças as canções de bailão e se divertir.

Também, o estilo é característico somente da Região Sul. Apesar da grande influência de outros estilos no ritmo, a música seguiu mais forte no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná (principalmente na região oeste do estado).

Para homenagear esse estilo musical tão influente na região sul, o Blog Colombo vai contar um pouco mais dessa história linda e que atravessou gerações até hoje.

As Raízes do Bailão

Primeiramente, a origem do bailão começa com a vinda dos imigrantes europeus para a região sul no século XIX. Para se divertir, muitos deles organizavam festas e eventos com música e dança típicas dos locais de onde vieram.

Por exemplo, os imigrantes alemães e italianos trouxeram suas influência para essas festas e para a música local. A marchas alemãs, as canções tradicionais italianas e a polca se misturaram com o tempo. Esses bailes começaram a crescer nas próprias comunidades locais e ficou assim até os anos 60/70.

O estilo começou a dar os primeiros sinais de vida nos anos 60, com a criação de diversas bandas de sucesso, como Os Atuais, Corpo & Alma e Miramar Show. Porém, as músicas tocadas por essas bandas ainda eram músicas nacionais, internacionais e, em festas de kerb, músicas tradicionais alemãs.

Só que essas músicas nacionais, como da Jovem Guarda, as músicas internacionais e as músicas orquestradas alemãs, além da influência de diversos países da América do Sul e do México, se misturariam ao longo dos anos.

Até então, muitas músicas orquestradas alemãs não eram cantadas, só tocadas com o instrumental. Contudo, a banda Os Atuais, de Tucunduva/RS juntou elementos da música alemã, da Jovem Guarda e de artistas internacionais como os Beatles (seguindo o ritmo da marcha, como na música “Ob-La-Di, Ob-La-Da”).

Assim criaram um novo estilo cantado, presente principalmente em seus discos, como no seu LP de 1983, com o sucesso “Barco do Amor“, que foi um fenômeno de vendas e vendeu 200.000 cópias do disco, numa era sem internet. Após esse acontecimento, o estilo cresceu, várias bandas do sul adotaram e o ritmo começou a se espalhar nos bailes, rádios e até na TV.

Anos 90: o crescimento do estilo na Região Sul

Com as bandas do sul adotando o estilo, o gênero musical começou a se expandir. Os salões de baile enchiam finais de semana com muita música das bandas de baile (ou bandinhas, popularmente chamadas) e as pessoas gostaram muito. Dali em diante não tinha mais volta: o Bailão chegou para ficar.

Nos anos 90, o primeiro auge do estilo veio com bandas como Os Atuais, Terceira Dimensão, Musical JM, Milennium Cia Show e Corpo & Alma. Essas bandas fizeram muito sucesso com músicas como “Cor de Caramelo“, “Vou Pra Santa Catarina”, “Paloma Blanca”, “A Namorada Que Sumiu” e tantas outras canções.

No final da década de 90, uma nova influência chegaria ao bailão, a Katchaka. Ritmo proveniente de influências colombianas e mexicanas, ele veio parar no sul do pás através da Banda Corpo & Alma e Vanderlei Rodrigo, com a música “Aquela dos Olhos Negros“.

A partir dali as bandas do sul também quiseram gravar músicas no estilo, devido a alta aceitação do público. O estilo continuou crescendo ainda mais. Todavia, o auge, muito provavelmente, viria na década seguinte.

A explosão do estilo nos anos 2000

A primeira metade dos anos 2000 foi marcante para o estilo. Depois da consolidação do ritmo nos bailes, eventos e nas rádios, outras bandas surgiram com força. O rádio ainda era o lugar da música se expandir. Foi nela que veio a primeira explosão da década para o gênero musical.

Bandas como San Marino, Musical JM, Terceira Dimensão, Miramar Show e Rota Luminosa dominavam as paradas de sucesso. Músicas como “Pegando o Ônibus“, “Coração de Pedra”, “Foto 3×4”, “Coração” “Latinha na Goteira” dentre outras eram as mais pedidas daquele momento.

Só que a segunda metade dos anos 2000 foi insana. Com a renovação do bailão para algo mais jovem, praticamente as bandas do sul dominaram as rádios locais do RS, SC e PR. Novas bandas entraram em cena com músicas inesquecíveis.

Só para exemplificar, bandas como Brilha Som, Banda Passarela, Porto do Som, Indústria Musical, Banda Legal, Banda G10 e outras marcaram esse novo momento. Clássicos como “Querida Amiga“, “Bar da Esquina”, “5 Dias”, “Resposta” e “Vidas Traçadas” furaram a bolha e, rapidamente, chegou a lugares onde o ritmo nunca havia tocado.

Dessa maneira, o estilo se difundiu de vez, o que tornou os salões de baile mais cheios nessa década. Vários programas de TV ajudaram a impulsionar o ritmo, como os programas “Canta Sul” e “Gilmar Brasil”, “Bandas e Fatos”, “Show Baile” e “Bandas Show”.

Além disso, o YouTube também contribuiu para as pessoas conhecerem as bandas de bailão Em resumo, a década de 2000 foi perfeita para as bandas de baile. O estilo passou a ser algo fortemente cultural e apreciado pelas pelas em vários locais, seja em casa, nos bailes ou nas festas em família e amigos.

O Bailão na Atualidade

Hoje em dia, as bandas de bailão continuam construindo o sucesso levando a alegria para diversas pessoas. Com a popularização da internet, das redes sociais e dos streamings de música, é difícil encontrar quem nunca ouviu o estilo.

O mercado musical possui domínio do sertanejo e de outros estilos nacionais, porém, o movimento não perde sua força. Cada vez mais sucessos aparecem no rádio e na internet, como foi o caso de “Perigosa e Linda”, “Guardanapo”, “Rio Azul” e outras grandes canções.

O bailão faz parte da cultura regional do sul, da vida das pessoas e da história dos grandes eventos e bailes. Com certeza, há um horizonte lindo para o ritmo crescer ainda mais e espalhar a alegria e o carinho para diversos lugares.

Quem ouve as bandas de bailão leva consigo histórias, momentos, risadas, e muito apreço pelo que o estilo fez e faz pela região sul há tantos anos. Nosso muito obrigado ao bailão e as bandas do sul, os nossos patrimônios imateriais que merecem todos os aplausos do mundo!

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